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| 04/02/2010 |
Pará e Venezuela analisam viabilidade técnica para o comércio de gás
 
O projeto, cujo investimento é na ordem de R$ 5 bilhões, prevê a construção de duas termelétricas (em Barcarena e Marabá), um gasoduto e um terminal de regaseificação, em Barcarena.
 

O Pará deu mais um passo, nesta terça-feira (2), para aumentar sua importância estratégica enquanto produtor de energia no Brasil. Em reunião na Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), representantes do Governo do Pará, da Eletronorte e da Pedevesa (PDVSA), estatal de petróleo da Venezuela, deram início às negociações para elaboração de um estudo de viabilidade técnica para trazer gás natural da Venezuela, liquefeito, para ser regaseificado em Barcarena.

 

O projeto, cujo investimento é na ordem de R$ 5 bilhões, prevê a construção de duas termelétricas (em Barcarena e Marabá), um gasoduto e um terminal de regaseificação, em Barcarena. Nesta quarta-feira (3), a comitiva venezuelana participa de uma visita técnica no município de Barcarena.

 

De acordo com o projeto, o gás liquefeito proveniente da Venezuela seria convertido em gás no terminal de regaseificação, que será construído em Barcarena. De lá, o produto é transportado e distribuído através de uma rede de gasoduto que ligaria Vila do Conde até Belém, Marabá e Paragominas.

 

Desta forma, o gás natural seria disponibilizado para o mercado, que já teria como um dos seus principais consumidores as duas termelétricas que serão erguidas em Marabá e Barcarena. Cada hidrelétrica, movida a gás natural, terá capacidade para produzir 600 MW.

 

"O governo do Pará está atuando como um 'concertador', no sentido de promover a articulação de diversos entes que impulsionem o processo de desenvolvimento do Estado. Neste caso, buscamos dar materialidade ao projeto que vai introduzir o gás natural à matriz energética do Pará. Isso requer articular produtores de gás, como a Pedevesa, possíveis compradores como a Eletronorte, e a Gás do Pará, que se soma à necessidade de viabilizar uma infraestrutura capaz de receber e internalizar o gás no território", afirmou o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Maurílio Monteiro.

 

Durante a reunião, o consultor contratado pela Companhia de Gás do Pará, Edson Real, apresentou as possibilidades desta parceria se tornar um negócio lucrativo. Dentre outras vantagens, ele elencou o fato do Pará ter um mercado potencial firme que prevê um consumo de mais de 9,2 milhões de m³/dia, principalmente na área de geração de energia; uma localização mais privilegiada em relação aos demais mercados brasileiros; apresenta proximidade na relação com a Venezuela e Trinidad y Tobago; além de oferecer vantagens competitivas do gás regaseificado em relação aos demais combustíveis.

 

"O projeto do Pará é muito positivo e ambicioso. Se este projeto se realizar, será uma iniciativa que trará autonomia para o Estado, desenvolvimento econômico e que vai promover também melhoria na qualidade de vida da população. A regaseificação impacta menos o meio ambiente e, com isso, evitamos a degradação ambiental", afirmou o gerente geral de processamento de gás da PDVSA, Tomas Goméz.

 

Ele explica que as negociações com a Venezuela começaram a partir do acordo firmado pela governadora Ana Júlia Carepa e o presidente Hugo Chávez, em Caracas, em novembro do ano passado, para viabilização de parcerias na área energética. "A expectativa de aproximação entre Pará e Venezuela são grandes. Estamos aqui para dar todo suporte e apoio para que este acordo aconteça".

 

O presidente da Companhia de Gás do Pará, José Raimundo Trindade, informou que já foram concluídos os projetos de engenharia; as licenças ambientais estão em fase adiantada (com a realização de audiências públicas previstas ainda para o primeiro semestre deste ano); e também foi solicitado recursos para inclusão do projeto no Fundo de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. A ideia é de que o terminal de regaseificação entre em operação, junto com as termelétricas, em meados de 2014.

 
FONTE: Agência Pará
 
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