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| 24/03/2009 |
Pesquisa diz que as ações da Comgás têm o menor risco
 
"Hoje há empresas que trocam a energia elétrica por gás natural, por isso a Comgás lidera o ranking.
 

As incertezas sobre o mercado acionário por conta da forte turbulência sofrida pelo setor financeiro mostraram que o Brasil ainda conta com empresas de pouco risco na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), como é o caso da das ações preferenciais da Comgás, que apresentaram um grau de risco de 1,01, segundo estudo realizado pela Cyrnel International, consultoria especializada em análise de risco que considerou as cotações do dia 18 de março.

Em seguida, aparecem os papéis PN da Telesp, com risco de 1,04 e da Cemig, com 1,12. "O grau de risco da Comgás está muito próximo do risco da carteira teórica do Ibovespa", afirmou Carlos Frederico Werneck, gerente de Operações da Cyrnel.

"Hoje há empresas que trocam a energia elétrica por gás natural, por isso a Comgás lidera o ranking. Existe demanda para todas as empresas que demonstraram o menor risco. Mesmo assim, o setor de energia é bom porque há demanda, assim como o setor de telefonia, que justifica a Telesp", explica Luiz Antonio Fernandes da Silva, professor do curso de Administração de Empresas da Falculdades Integradas Rio Branco e especialista em investimentos.

Por sua vez, as ações ordinárias da BM&F Bovespa lideram o ranking dos papéis mais arriscados do Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista. De acordo com estudo, o grau de risco dos papéis estava em 2,13, ou seja, é mais que o dobro do grau de risco da carteira teórica do Ibovespa, que é composta pelos papéis das principais companhias brasileiras.

Na segunda e terceira posições ficaram as ações ON da Gafisa e da Rossi Residencial ON, com grau de risco de 1,98 e 1,97, respectivamente. "O sistema que desenvolvemos aqui na Cyrnel sempre considera como base a carteira completa do Ibovespa, que representa o grau de risco igual a 1", explicou Werneck.

Silva explica que a BM&F Bovespa lidera o ranking pelo fato de ser uma companhia que tem como receita operações de risco. "Este risco vem com o período negativo do mercado. Sua receita é baseada exclusivamente em derivativos e este mercado trouxe grandes perdas a algumas empresas. A fonte de receita são os contratos futuros", diz Silva.

"As empresas do setor de construção sofrem pela conjuntura. Mas há outras empresas que podem ser consideradas mais arriscadas do que estas citadas, como a Sadia e a Aracruz, ambas com dívidas por conta de derivativos. Outra companhia com grande risco em suas ações é a Gol, que teve grande parte de sua dívida em dólar, além do alto preço do barril do petróleo atingido no ano passado", afirma Silva.

Mesmo com a alta de 5,89% da Bolsa, aos 42,438 pontos, na sessão desta segunda-feira, entre as ações que compõem o Ibovespa, os papéis preferenciais da Gol apresentaram desvalorização de 7,05%. Por outro lado, as ações ordinárias da Gafisa encerram com a maior alta do pregão, com elevação de 16,16%. As ações da Gol são um reflexo dos resultado conquistados em 2008.

Muitos especialistas criticavam as empresas de construção civil por terem utilizado seus recursos das ofertas públicas de ações (IPO, na sigla em inglês) de forma equivocada, comprando terrenos e depois sem recursos para a idealização dos empreendimentos. No caso da Gol, a companhia aérea anunciou na semana passada um prejuízo de R$ 1,386 bilhão referente ao período fiscal do ano passado, sendo que só no quarto trimestre o prejuízo foi de R$ 687 milhões.

Considerando o estudo de cenários de estresse, o papel da BM&F Bovespa também lidera a lista. Pela análise da consultoria, considerando a possibilidade de uma alta ou queda de 10% no Ibovespa, as ações ordinárias da BM&F Bovespa apresentariam a maior variação, podendo subir, ou cair, 13,23%. As ações da Telesp seriam as menos afetadas, com uma possibilidade de valorização ou perda de 3,87%.

O estudo da Cyrnel International mostra ainda o grau de risco médio por indústria. De acordo com o último levantamento, a construção civil lidera o ranking, com grau de risco médio superior a 2.0. Agricultura/Pecuária e Metalurgia e Mineração estão empatadas em segundo lugar, com risco entre 1,8 e 1,9.
 

 
FONTE: DCI
 
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